O Comitê Permanente de Inteligência da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos emitiu um alerta sobre os riscos imprevisíveis e de alto impacto associados ao avanço da inteligência artificial (IA). O aviso foi publicado em um novo relatório que destaca como essa tecnologia pode ser utilizada por grupos terroristas e outras organizações hostis para desenvolver armas mais perigosas e planejar ataques devastadores.
O documento foi elaborado em um contexto de avaliação dos esforços dos EUA nos últimos 25 anos para corrigir falhas de inteligência que facilitaram os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Os parlamentares enfatizam que tanto a comunidade de inteligência quanto os formuladores de políticas devem ser meticulosos em impedir que ferramentas de IA caiam nas mãos de adversários, incluindo grupos terroristas.
“Prevenir o acesso de grupos terroristas a equipamentos e conhecimentos necessários para construir e utilizar armas de destruição em massa tem sido uma prioridade significativa desde o 11 de setembro”, afirma o relatório. A análise também menciona que os modelos de linguagem de grande porte podem facilitar significativamente o desenvolvimento de ataques mais destrutivos.
Preocupações com o avanço da IA
- O alerta do comitê surge pouco antes do aniversário de 25 anos dos ataques de 11 de setembro, que provocaram mudanças profundas nas estruturas de segurança dos Estados Unidos;
- A IA está se desenvolvendo rapidamente, gerando um enorme volume de atividade econômica;
- O avanço acelerado da tecnologia levou a discussões entre parlamentares e autoridades sobre a regulamentação e os riscos associados ao seu uso.
O relatório, elaborado pelo presidente do Comitê de Inteligência, Rick Crawford, do Arkansas, e pelo membro de maior escalão do comitê, Jim Himes, de Connecticut, junto com os deputados Elise Stefanik e Josh Gottheimer, destaca que as salvaguardas atuais podem não ser suficientes para acompanhar a evolução das capacidades da IA.
“Laboratórios de IA estão tentando impedir que os modelos forneçam informações que podem ajudar agentes mal-intencionados, como a construção de armas biológicas, mas a capacidade subjacente desses modelos evolui rapidamente, tornando o controle total um desafio”, acrescentam os parlamentares.
Aceleração na adoção de IA
O relatório também sugere que a comunidade de inteligência dos EUA deve acelerar a adoção responsável de sistemas avançados de IA. Para os parlamentares, é crucial que os Estados Unidos mantenham uma vantagem tecnológica sobre seus adversários, ao mesmo tempo em que estabelecem mecanismos de segurança para mitigar novos riscos.
O comitê recomenda investimentos em ferramentas seguras de IA para coleta, análise e emissão de alertas, com testes rigorosos, supervisão humana e proteções robustas à privacidade e às liberdades civis. A intenção é utilizar a tecnologia para melhorar a capacidade de identificação e resposta a ameaças sem comprometer os direitos individuais.
Ambiente de ameaças comparável ao pós-11 de setembro
O Comitê de Inteligência também afirma que os Estados Unidos enfrentam atualmente um ambiente de ameaças “tão complexo e perigoso quanto qualquer outro desde 11 de setembro de 2001”. Apesar dos progressos nas últimas duas décadas, o documento destaca que ainda existem lacunas significativas na capacidade do país de identificar e lidar com vulnerabilidades.
“Persistem lacunas graves em nossa capacidade de enfrentar e lidar com essas vulnerabilidades. Não estamos adequadamente preparados para lidar com as ameaças atuais”, conclui o relatório.
Fonte: Olhar Digital