A Meta lançou recentemente o Muse, um assistente pessoal de inteligência artificial que rapidamente se destacou no mercado americano. O aplicativo já alcançou o topo da App Store e contribuiu para a valorização das ações da empresa, embora tenha gerado preocupações significativas em relação à privacidade e segurança dos usuários.
Downloads em alta e preocupações com privacidade
Desde seu lançamento, o Muse superou a marca de 2,5 milhões de downloads, conforme dados da Sensor Tower. No mesmo período, as ações da Meta apresentaram uma alta de 11%. Analistas da Truist Securities estimam que o novo recurso pode adicionar até US$ 28,5 bilhões (aproximadamente R$ 146,4 bilhões) à receita da Meta até 2030. Para proporcionar uma experiência mais eficaz, o Muse requer acesso a e-mails, mensagens e calendários dos usuários, o que levanta questões sobre a confiança necessária para compartilhar informações pessoais. Uma pesquisa da Oppenheimer & Co. revela que apenas 8% dos consumidores nos EUA confiam suas senhas à Meta, em comparação com 30% que confiam no Google.
A Meta assegura que o Muse foi desenvolvido com foco na segurança, informando que cada agente opera em um computador próprio e protegido. Alexandr Wang, chefe de IA da empresa, destacou que o principal objetivo era evitar vazamentos de informações pessoais e a exclusão acidental de e-mails. Contudo, analistas como Youssef Squali, da Truist, alertam que um ataque cibernético que comprometa dados sensíveis poderia abalar a confiança no Muse e no mercado de assistentes de IA como um todo.
Bloqueio da Amazon e suas implicações
Um dos primeiros grandes desafios enfrentados pelo Muse ocorreu no comércio eletrônico, onde a Amazon bloqueou o acesso do assistente à sua plataforma, impedindo que ele realizasse compras em nome dos usuários. A Amazon afirmou que não havia recebido aviso prévio sobre o acesso e não tinha autorizado tal ação. Um porta-voz da empresa enfatizou que aplicativos de terceiros devem ser transparentes e respeitar as diretrizes dos serviços em relação ao acesso. A decisão da Amazon também reflete uma preocupação com o modelo de negócios: se assistentes de IA começarem a realizar compras em nome dos consumidores, isso poderá reduzir o tráfego direto para sites que dependem de publicidade. Especialistas consideram que essa situação pode gerar resistência de grandes plataformas da internet a esses novos agentes.
A Meta, por sua vez, anunciou parcerias com empresas como Shopify, Instacart e Dick’s Sporting Goods, enquanto o impacto do Muse se estendeu a outros setores, resultando em quedas nas ações de empresas de gestão de patrimônio e corretoras, com a Charles Schwab apresentando uma desvalorização superior a 6%.
Concorrência crescente e desafios futuros
A Meta já conta com uma vantagem, pois Facebook e Instagram oferecem uma ampla rede de distribuição e acesso a dados de milhões de usuários. No entanto, a concorrência deve aumentar em breve, com a expectativa de que a OpenAI divulgue um assistente de IA para consumidores nas próximas semanas, e o Google e a Apple também são apontados como potenciais rivais. Os analistas acreditam que a velocidade de desenvolvimento e a adaptação dos assistentes de IA ao comportamento dos usuários serão cruciais nessa disputa. O Muse demanda alta capacidade computacional, uma vez que cada agente opera em um computador virtual próprio, o que pode ser um fator limitante. Contudo, o Google possui infraestrutura robusta para desenvolver soluções semelhantes. Por enquanto, a rápida aceitação do Muse coloca a Meta em uma posição central nesse novo cenário competitivo, mas o sucesso do assistente dependerá não apenas da base de usuários, mas também da disposição de plataformas em permitir que uma IA realize tarefas em nome dos clientes.